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Em cena, a solidão da bicha preta do subúrbio

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Quá-quá, pão-com-ovo, poc-poc. São rótulos pejorativos, preconceituosos, que acompanham o morador gay e sobretudo negro das periferias do Brasil. Sofrem preconceito de quem sofre preconceito. Estão à margem da margem. A solidão da bicha preta suburbana é um dos temas da peça Contos Negreiros do Brasil, inspirada no livro Contos Negreiros, do escritor Marcelino Freire.

 

O ator Milton Filho interpreta Célio, um homem que tem suas experiências afetivas reduzidas ao efêmero. No monólogo, ele descreve o encontro com um homem que conheceu na estação de trem. Milton convive com figuras próximas ao que vive em cena. Ele trabalha no Bar do Hélio, um bar LGBT construído sob um viaduto no bairro de Cascadura, na Zona Norte.

 

É imposto ao gay da periferia aceitar o que sobrar, o que vier”, definiu. “Se você não é a bicha boy da Zona Sul você não é aceita. Se você não é a bicha negra objetificada musculosa de pênis grande você não é aceita. É preciso uma desconstrução. Mas querem essa desconstrução? Infelizmente querem que a bicha preta periférica continue na solidão. Ela só é lembrada quando é morta e ainda assim com uma notinha no canto do jornal”, completou.

 

Contos Negreiros do Brasil está em cartaz no Teatro Poeirinha até o dia 26 de julho. Rua São João Batista, 104, Botafogo.  Às terças e quartas-feiras.