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Espetáculo O Jornal expõe o conflito entre religião e a homossexualidade 

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Em 2010, o tabloide de Uganda The Rolling Stone publicou uma lista com 100 nomes de homossexuais e incitou seus leitores a enforcá-los. O fato seria repetido mais tarde em outra publicação, de 2014, o Red Pepper, que lançou nova matéria com 200 homossexuais do país africano. Dirigida e produzida pelos amigos Lázaro Ramos e Kiko Mascarenhas, a peça O Jornal conta a história de um amor proibido que acaba por afetar a vida e o destino de todos ao seu redor. Após morte do pai, três irmãos – Joe, Dembe e Wummie – precisam reconstruir suas vidas. Joe se prepara para ser reverendo enquanto Dembe e Wummie estudam para progredir diante da desigualdade. Mas o destino seria fatal: Dembe conhece Sam eles acabam se apaixonando. Condenados pela lei, pela sociedade e pela religião, eles terão de optar entre se separar ou arriscar a própria vida para viver esse amor em meio a uma caçada antigay no país onde nasceram.

 

Para escalar os atores, Lázaro idealizou uma oficina que contou com apoio da Rede Globo e que mobilizou diversos profissionais para o processo de escolha de elenco. O resultado foram cinco mil inscritos até se afunilar para 70 atores de sete estados diferentes do País. Na sequência, 15 dias intensos de aulas de dança e canto em jogos de improviso ministrados pela dupla de diretores com a ajuda essencial do coreógrafo Zebra e do preparador vocal Wladimir Pinheiro. No fim, cinco destes candidatos integram o elenco de seis atores que estreia O Jornal: André Luiz Miranda, Danilo Ferreira, Heloísa Jorge, Indira Nascimento, Marcella Gobatti e Marcos Guian.

 

Lázaro e Kiko se encantaram com o texto do dramaturgo inglês Chris Urch. A montagem permite a reflexão, o paralelo com a realidade brasileira e a emergência da intolerância representada pela censura a apresentações artísticas e a autorização para a prática da cura gay. O protagonista Dembe vive em um país onde a religião desempenha papel punitivo preponderante na sociedade e a sua família espelha essa realidade ao tomar a fé como sinônimo de propsperidade e verdade quase absoluta. “Quando o teatro cria um espelho da atualidade é preciso prestar atenção e não deixar que o silêncio se transforme em cumplicidade”, disse Kiko. “Encontrar um roteiro que fale de uma realidade de Uganda mas ao mesmo tempo nos remete a tanto do que vivemos no Brasil é um privilégio. Acima de tudo O Jornal é uma peça que fala sobre amor”, definiu Lázaro. O espetáculo fica em cartaz até o dia 25 de fevereiro no Teatro Poeira. De quinta a sábado às 21h. Dom. 19h. R$80.